Anticoncepção feminina e masculina

Anticoncepção ou contracepção são métodos que podem ser usados tanto por homens quanto por mulheres, para evitar a gravidez. A contracepção pode ser feita com dispositivos, medicamentos (considerados reversíveis), ou por meio de cirurgias, que são irreversíveis. Não existe um método que seja melhor ou pior, mas sim aquele que mais se ajusta ao casal. 

Não há nenhum método de anticoncepção que seja 100% eficaz, todos têm alguma possibilidade de falha. A informação é fundamental para escolher o melhor método e deve ser orientada por um profissional de saúde. Outro ponto vital é que só existem dois métodos capazes de evitar tanto a gravidez indesejada, quanto as doenças sexualmente transmissíveis: o preservativo masculino e feminino.

 

Tipos de métodos contraceptivos

Métodos contraceptivos reversíveis comportamentais: são aqueles que ao serem praticados podem evitar a gravidez, porém quando não usados, permitem a concepção (fecundação do óvulo pelo espermatozoide). Além disso, são naturais, ou seja, não são usados nem dispositivos, nem medicamentos. Os mais conhecidos são:

- Coito interrompido: é provavelmente um dos métodos mais antigos que se tem notícia. Acontece quando o homem retira o pênis da vagina pouco antes de ejacular. Entretanto, exige um autocontrole muito grande do homem e é pouco confiável. É importante lembrar que se a ejaculação for feita na vulva, a mulher corre o risco de engravidar.

- Tabelinha (método de Ogino-Knauss): descrito em 1932 por dois médicos (Ogino e Kauss), consiste na abstinência sexual durante o período fértil da mulher (ovulação). Esse período costuma acontecer por volta do 14º dia após o primeiro dia da menstruação, em um ciclo regulado, ou seja, aquele que ocorre todos os meses em 28 dias.  Portanto, a abstinência sexual deveria começar 3 dias antes do 14º dia e permanecer até o 17º, deixando uma margem. É um método pouco eficaz, porque nem todas as mulheres têm ciclos regulados, além do dia da ovulação poder variar.

Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), estudos mostram que o óvulo permanece vivo no trato genital feminino por 24 horas após a ovulação e os espermatozoides podem viver por até 48 horas após a ejaculação, portanto o método da “tabelinha” é pouco confiável. Entretanto, quando o casal se adapta, é considerado um método de contracepção natural.


Métodos contraceptivos de barreira reversíveis

são aqueles em que a mulher ou o homem utilizam algum tipo de dispositivo, que impede a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. Porém, quando há suspensão do método, há a possibilidade de uma gravidez. São eles:

- Camisinha masculina (preservativo): é um dos métodos de barreira mais antigos que se tem notícia. Inicialmente, a camisinha era feita com partes de animais, como a pele dos intestinos e bexiga. Seu uso, além da contracepção, foi também uma maneira de evitar a contaminação pela sífilis, doença sexualmente transmissível (DST), altamente prevalente antes da invenção dos antibióticos.

Foi somente em 1843 que a camisinha começou a ser fabricada a partir da borracha e evoluiu até a produção a partir do látex, material fino e confortável, anos mais tarde. Atualmente, o processo fabril permite a confecção de preservativos com cheiros, tamanhos diferentes, entre outras diversidades. Sua eficácia, comparada aos métodos comportamentais, é maior: entre 2 a 18%. No Brasil, os postos de saúde do SUS distribuem gratuitamente e a recomendação é usar em todas as relações sexuais, uma vez que é o único método eficaz para evitar as DSTs.

- Camisinha feminina: é feita de um plástico mais macio que a camisinha masculina, o poliuretano. Ela protege tanto o canal vaginal quanto a vulva, portanto evita as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez. Isso devido ao seu formato, uma espécie de bolsa com dois anéis em cada extremidade. O anel interno é fechado para evitar o contato do esperma com a vagina.

O anel aberto recobre a vulva. O produto é considerado mais eficaz que a versão masculina, pois o material é mais resistente e a proteção contra DSTs é maior. A chance de falha é de 5%, quando usada corretamente. Assim como a camisinha masculina, a feminina também é distribuída pelo SUS.

- Dispositivo Intrauterino (DIU): é um método de barreira bastante utilizado. Consiste em um dispositivo feito de polietileno, que contém substâncias com ação anticoncepção quando inseridos no útero. Existem dois tipos de DIU: aqueles que contêm cobre e os que contêm progesterona ou levonorgestrel.

Mecanismo de ação do DIU: A atuação do DIU se dá de diversas maneiras. Como se trata de um “corpo estranho” no útero, o dispositivo aumenta a reação inflamatória, ou seja, o organismo passa a produzir substâncias para combater o intruso, como leucócitos e outras enzimas. Essas alterações interferem no transporte dos espermatozoides e alteram as células sexuais, o que evita a fecundação. O DIU de cobre interfere na vitalidade e na motilidade dos espermatozoides, prejudicando-os, além de diminuir a sobrevida do óvulo. Já o DIU com hormônios altera o muco cervical, tornando-o espesso, o que cria uma barreira que impede a penetração do esperma.

É considerado um método muito eficaz, entretanto tem algumas contraindicações importantes, principalmente em mulheres com histórico de câncer de útero, sangramentos, suspeita de gravidez, doença pélvica inflamatória, entre outras. Por outro lado, quando não há contraindicação, o DIU é um método de longa duração, não interfere nas relações sexuais e pode ser colocado e retirado a qualquer momento (exceto quando a mulher está grávida).


Método contraceptivo hormonal

A invenção da pílula na década de 70 revolucionou a vida sexual das mulheres, que podiam definitivamente evitar uma gravidez indesejada e usufruir do sexo como forma de obter prazer e não apenas como meio de procriação. Nas últimas décadas, a pílula passou por diversas modificações, proporcionando mais eficácia com riscos menores. A pílula abriu caminho para outros métodos hormonais, classificados segundo a via de utilização: oral, injetável, subcutâneo e vaginal.

- Contraceptivos hormonais orais: A pílula anticoncepcional pode conter 1 ou 2 hormônios, que são semelhantes àqueles produzidos pelos ovários. O efeito da ingestão da pílula é impedir a ovulação. Os hormônios sintéticos presentes nas pílulas também alteram o muco cervical, assim como o endométrio e as trompas. Isso tudo modifica a resposta dos ovários às gonadotrofinas (hormônio luteinizante – LH -  e o hormônio estimulador do folículo - FSH).

Em geral, os anticoncepcionais orais são produzidos com estrogênio e progesterona sintéticos. A diferença entre as pílulas é a dosagem do estrogênio (etinilestradiol). As pílulas são classificadas em média, baixa e baixíssima dose, de acordo com a quantidade dos hormônios utilizados nas fórmulas. Nos últimos 50 anos, a evolução da pílula foi significativa. A redução da dosagem hormonal foi de 10 vezes, o que também ajudou a diminuir os efeitos colaterais. A eficácia da pílula é alta: 99% em média e o custo é acessível. O SUS oferece gratuitamente algumas pílulas.

A pílula possui algumas contraindicações e aumenta o risco de trombose em mulheres que fumam e têm mais de 35 anos. Outro inconveniente é que a pílula pode falhar se a mulher esquece-se de tomar nos horários regulares. O uso deve ser orientado por um médico. 

- Contraceptivos hormonais injetáveis: A vantagem do uso de anticoncepcionais injetáveis é que não há o risco do esquecimento. A aplicação pode ser mensal ou trimestral, dependendo do tipo de produto utilizado. É reversível, ou seja, a mulher pode engravidar quando suspender o uso e é tão eficaz quanto a pílula.

- Contraceptivo hormonal de uso vaginal (anel): O anel vaginal contém os mesmos hormônios das pílulas. Ele é de uso interno, ou seja, a mulher deve coloca-lo na vagina e retirar ao completar o período. A vantagem é a comodidade de não se esquecer de tomar a pílula, além de apresentar uma dosagem menor de hormônios. O SUS não disponibiliza e seu custo é relativamente alto. A eficácia é a mesma da pílula. 

- Implantes contraceptivos: É um método reversível, porém de longa duração – média de 3 a 5 anos. Por meio de uma pequena cirurgia, o médico implanta um dispositivo embaixo da pele, que irá liberar os hormônios que irão impedir a ovulação e, consequentemente, a gravidez. A eficácia é a mesma da pílula, porém o custo é alto.


Métodos contraceptivos irreversíveis

Tanto o homem quanto a mulher podem se submeter a procedimentos cirúrgicos para esterilização, ou seja, para eliminar a chance da concepção. Porém, em geral esses métodos são irreversíveis. No caso da vasectomia, feita no homem, é possível reverter no prazo máximo de 3 a 4 anos após a cirurgia, porém é um procedimento caro e complicado, que nem sempre gera resultados. Por isso, antes de se submeter a este tipo de método contraceptivo, é preciso que o homem ou a mulher reflitam muito sobre o desejo de não mais ter filhos.

Vale lembrar que no Brasil, existe uma Lei, que estipula várias condições tanto para realizar a vasectomia, quanto para a laqueadura. Como são, a priori, procedimentos irreversíveis, o número de pessoas que se arrependem é relativamente alto.

Por isso, a Lei de Planejamento Familiar estipula que a esterilização, tanto em homens quanto em mulheres, só pode ser feita em pessoas maiores de 25 anos de idade ou com pelos menos dois filhos vivos. Outro ponto é aguardar 60 dias após a manifestação da vontade. Nesse tempo, será oferecido aconselhamento multidisciplinar com o objetivo de desencorajar a esterilização precoce. 

- Vasectomia: É um procedimento cirúrgico, relativamente simples e seguro, que elimina a fertilidade do homem por meio da extração de uma parte dos canais que transportam os espermatozoides. Após alguns meses da cirurgia, o sêmen não contém mais os espermatozoides responsáveis pela fecundação dos óvulos. A ejaculação ocorre normalmente e a cirurgia não afeta a função sexual masculina. A técnica é muito simples, na maioria das vezes realizada em ambulatórios. O paciente pode retomar as atividades logo após o procedimento.  

- Laqueadura das trompas: A laqueadura das trompas uterinas é uma cirurgia que esteriliza a mulher permanentemente. O objetivo é impedir a descida do óvulo e a subida do espermatozoide até o local. É um procedimento relativamente simples, porém feito com anestesia geral ou regional (raquidiana ou peridural). Existem várias técnicas diferentes.

O médico corta as trompas e amarra suas extremidades impedindo a passagem dos espermatozoides e bloqueando a saída dos óvulos. Embora os óvulos não consigam mais passar pelas trompas, a ovulação e a menstruação da mulher não sofrem alterações. A eficácia da laqueadura é de praticamente 100%, sendo praticamente improvável sua reversão. Desta forma, antes de realizar a cirurgia, é imprescindível um aconselhamento médico e psicológico sobre a decisão.


Perguntas & Respostas

1 - É verdade que pílula ou injeções anticoncepcionais engordam?
Qualquer tipo de método contraceptivo hormonal só deve ser usado com prescrição médica. Existem diversas pílulas e injeções com diferentes dosagens de hormônios. Como qualquer medicamento, os contraceptivos hormonais possuem efeitos colaterais, ou seja, podem alterar algumas funções do organismo. Em geral, a pílula não engorda, mas pode reter líquido e causar inchaço. Portanto, é um mito pensar que a “pílula” engorda, o que engorda é comer mais calorias que do se gasta.


2 - A mulher é quem deve se precaver para evitar a gravidez?
De maneira alguma. Em uma relação sexual ambos são responsáveis, não só em usar métodos para prevenir uma possível gravidez, como para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Existem inúmeros métodos contraceptivos, porém somente o preservativo masculino ou feminino podem evitar tanto uma gestação, quanto uma DST. Portanto, homens e mulheres são responsáveis pela saúde sexual.


3 - Quais são os métodos contraceptivos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)?
Nos postos de saúde é possível obter, gratuitamente, preservativos femininos e masculinos. A mulher pode ainda procurar uma unidade básica de saúde (UBS) para ter acompanhamento com um médico ginecologista, que vai orientar e prescrever algum método, pílulas ou injeções, que também fazem parte do rol de métodos oferecidos pelo SUS.
A laqueadura e a vasectomia, embora façam parte dos procedimentos cirúrgicos do SUS, possuem um processo mais elaborado para serem autorizados. Já outros métodos e algumas pílulas não são cobertas pelo SUS como o dispositivo intrauterino (DIU), implante hormonal, anel vaginal, etc.


4 - Mulheres que tomam pílula por muito tempo têm mais dificuldade para engravidar?
Não, de maneira alguma. Recente artigo publicado na revista científica Fertility and Sterility comprovou que os contraceptivos orais não têm influência na fertilidade feminina. Esse mito surge do fato de que muitas mulheres, quando param de tomar a pílula, apresentam dificuldades para engravidar. Porém isso nada tem a ver com o medicamento e sim com a fertilidade de cada pessoa. Entretanto, os ovários podem demorar um pouco para voltar ao normal, em média de 1 a 3 meses.


Equipe Saútil - Última revisão deste conteúdo em 16/12/2013. Próxima revisão e atualização em 10/09/2014.

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