Efeitos do Crack na Saúde Respiratória

O crack é uma droga ilícita produzida a partir da cocaína misturada com bicarbonato de sódio e outros produtos químicos. É considerada uma forma impura da cocaína. O nome “crack” se deu devido ao barulho que as pedras da substância fazem ao serem queimadas.  É a forma mais poderosa e viciante da cocaína. 

O principal meio de utilização é o fumo. Com a inalação da droga, o crack alcança o sistema nervoso central em questão de segundos por meio dos pulmões. O efeito é rápido, dura cerca de 3 a 10 minutos, causando euforia, mal-estar, alucinações, aumento dos batimentos cardíacos e problemas respiratórios.

 

Como o crack afeta a saúde respiratória

A fumaça do crack é altamente prejudicial para o sistema respiratório. Após minutos ou horas da inalação, os usuários apresentam alterações respiratórias agudas como falta de ar, dor no peito, escarro com sangue ou escuro, tosse, dor no tórax, chiado no peito, entre outros sintomas.

Atualmente, a medicina tem utilizado o termo “pulmão do crack” para definir uma síndrome pulmonar aguda que acontece logo após a inalação da droga. Embora o mecanismo ainda não esteja muito bem estabelecido, há evidências de que o crack causa uma contração dos vasos sanguíneos dos pulmões que leva à falta de sangue no tecido pulmonar (isquemia).


Outros efeitos

Outros efeitos observados são a toxicidade do crack na membrana que reveste os alvéolos (estruturas dos pulmões responsáveis pela troca gasosa de CO2 pelo O2) e a hipersensibilidade aos componentes da droga inalada. Muitas vezes, o crack pode conter outras substâncias além da cocaína e do bicarbonato de sódio como cal, cimento, etc.

Além disso, muitos usuários usam latas de alumínio. Quando aquecidas liberam o alumínio que também se torna tóxico para o sistema respiratório. Pessoas que apresentam a síndrome do pulmão do crack podem ter febre, falta de oxigênio no sangue, tosse com sangue, falência respiratória e alteração dos alvéolos pulmonares. 

 



Além desta síndrome, usuários que têm asma apresentam crises e agravamento do quadro. Podem ocorrer ainda:

- Edema agudo pulmonar - acúmulo de fluído nos pulmões, que dificulta as trocas gasosas (O2 e CO2) e leva à insuficiência respiratória. O edema agudo do pulmão aparece na necropsia de 80% das mortes relacionadas ao crack.
Barotrauma – ocorre quando o ar dos pulmões não consegue ser liberado, havendo então um aumento do volume dos gases e da pressão dentro dos pulmões. De forma mais didática, é como se os pulmões fossem balões de ar que se enchem e não podem ser esvaziados. Nestes casos, podem acontecer perda da consciência, convulsões, perda da força e dos sentidos, fraqueza, tontura, enjoo, dor de cabeça, dor no peito e falta de ar.

- Hemorragia alveolar – os alvéolos são sacos de ar com paredes muito finas que ficam em contato direto com os vasos sanguíneos pulmonares. As trocas gasosas ocorrem nessas estruturas. Sabe-se que o crack danifica os vasos sanguíneos, diminuindo seu calibre e os danificando. Com isso, o sangue circula mal e pode ficar parado nos alvéolos, deixando um menor espaço para a troca gasosa. A pessoa pode apresentar falta de ar, tosse com sangue e alterações nos alvéolos que podem ser vistas nos exames de imagem.

- Doença pulmonar intersticial – não é uma doença, mas um grupo de doenças que tem em comum a inflamação dos tecidos mais profundos do pulmão, incluindo o tecido que suporta o pulmão e os alvéolos.
Bronquiolite obliterante com pneumonia organizada – os bronquíolos são estruturas pulmonares muito finas. Quando há uma inflamação é chamada de bronquiolite, muito comum na infância. Entretanto, entre os usuários de crack, surge a forma conhecida como obliterante com pneumonia. Além da inflamação, há obstrução dos bronquíolos que se estende até os alvéolos e causa também a inflamação dos pulmões, a pneumonia.


Sintomas

Estima-se que de 25 a 60% dos usuários de crack apresentam sintomas respiratórios depois de fumar, porém são raros os que procuram ajuda médica, o que agrava o quadro. Além dos pulmões, a fumaça do crack afeta a traqueia, a boca, a laringe e a faringe, podendo causar queimaduras e feridas nas vias áreas.

O uso contínuo do crack debilita a saúde como um todo, diminuindo as defesas do organismo contra diversas doenças. Os dependentes também ficam mais sujeitos ao desenvolvimento de pneumonias e tuberculose.

Crack e o enfisema pulmonar
A fumaça do crack pode causar uma inflamação crônica dos brônquios e um dano irreversível aos alvéolos pulmonares, conhecido como enfisema pulmonar. Essas duas condições juntas formam a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), causada na maioria dos casos pelo tabagismo.


Prognóstico

A dependência química quando instalada não tem cura. Se não tratada é progressiva e fatal. Entretanto, é possível tratar a doença e evitar assim um desfecho trágico. A prática médica tem demonstrado que com a suspensão do uso do crack, dependendo do tempo de uso e do estado geral de saúde do paciente, é possível reverter algumas condições pulmonares.

No Brasil, há diversas comunidades terapêuticas e clínicas de recuperação para dependentes químicos. Em São Paulo, por exemplo, as famílias podem requerer um auxílio para pagar o tratamento. É importante lembrar que não há cura para a dependência química, apenas controle, que deve ser para o resto da vida. 


Perguntas & Respostas

1- Por que o crack afeta a saúde respiratória?

O crack é inalado, ou seja, as vias respiratórias são as primeiras estruturas que entram em contato com a substância. Muitas vezes, a cocaína, que é a base do crack, é misturada com diversos produtos tóxicos. Há ainda o alumínio das latas usadas como cachimbo. É comum os usuários sentirem dor no peito, falta de ar, catarro enegrecido ou com sangue e crises de asma durante o uso ativo da droga. A saúde fica debilitada e com isso aumentam os riscos de contrair pneumonias, tuberculose e outras infecções oportunistas.

2- Qual a relação do enfisema pulmonar com o uso do crack?

O enfisema é uma doença crônica e progressiva que danifica os alvéolos pulmonares e geralmente afeta fumantes com mais de 20 anos de vício. Quem fuma crack está sujeito a desenvolver o enfisema pulmonar mais precocemente, com poucos anos de uso.

3- O que é a síndrome do pulmão do crack?

Exames feitos em pessoas que morreram e eram usuários de crack mostram que 80% deles apresentavam lesões nos alvéolos pulmonares. Há evidências de que o crack causa uma contração dos vasos sanguíneos dos pulmões que leva à falta de sangue no tecido pulmonar (isquemia). Pessoas que apresentam a síndrome do pulmão do crack podem ter febre, falta de oxigênio no sangue, tosse com sangue, falência respiratória e alteração dos alvéolos pulmonares. 

4- Qual a principal causa de morte entre os usuários de crack?Ao contrário do que se pensa, não é a overdose de crack que mais mata. A violência (homicídio ou suicídio) corresponde a 56% das mortes e a overdose apenas a 9%. A AIDS fica em segundo lugar, com 26% dos casos. Esses dados são da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e mostram que o uso de crack é um problema que abrange não só a saúde do usuário, mas os direitos humanos, a segurança pública, afetando as famílias, aumentando a criminalidade e ceifando a vida de milhares de pessoas, principalmente jovens. 


Equipe Saútil - Última revisão deste conteúdo em 12/09/2013. Próxima revisão e atualização em 26/07/2014.

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